Na casa defronte de mim e dos meus sonhos, / Que felicidade há sempre! São sete essas casas que
contemplo como não estando dentro de mim, mas diante de mim, de vós, e da sua (nossa) imaginação.
Diante de nós, nesse momento em que sonhamos, em que o pensamento e a imaginação, sugeridos nos
outros, nos leva a divagar por sobre o papel. E, no entanto, as casas também estão dentro de si, na
memória e experiência vivida do seu autor, a germinar da cultura, e da ocasião que as fará brotar.
Fazem-se de uma bagagem de associações e analogias, em diálogo continuamente inventado com o lugar e o contexto.
Nessas casas parece haver felicidade, sempre. Uma estranha e admirável felicidade, cuja dimensão e perenidade são desconhecidas, ainda que, porventura, reais e tangíveis. Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.
Nós vimo-las porque nos foram apresentadas, porque entraram no nosso trabalho, e porque com elas nos cruzámos por momentos breves das nossas vidas. Um instante, comungado no objetivo da construção das suas casas. Olhares trocaram-se, palavras também, em encontros pré-determinados, ainda que essas pessoas que ali estavam e que víamos não as víamos verdadeiramente no seu ser. Não as conhecemos, porque não sabemos quem são, nem o que pensam para lá do contexto que partilhámos por instantes. Mas devem ser felizes, sim. Devem ser felizes, porque assim as imaginamos nas suas novas casas. Para sempre. Eternamente.
A felicidade destas pessoas que Vivem entre vasos de flores, / Sem dúvida, eternamente, é imagem do paraíso.
Vivem rodeadas do que é belo e natural. Do belo construído, que só o humano consegue alcançar.
In Prefácio de Nuno Tavares da Costa